19 de jun de 2010

Reflexões de Maria, Maria

Campineira mas praticamente baiana, a colega Lalá Vallim mantém um blog lindo com elocubrações femininas, o Maria, Maria e sua estranha mania...palavras! Tomei aqui a liberdade de reproduzir um de seus pensamentos, sobre um assunto, é claro, que povoa pelo menos 85% da cabeça feminina - homens (admitam, meninas! Mesmo as que estão no doutorado, no mestrado, admitam...).

Reflexões de uma mulher de 30 sobre o amor

O fato é certo.

Nós, mulheres, passamos a infância ouvindo histórias de príncipes encantados e finais felizes, para depois passar o resto da vida desconstruindo esse sonho cristalizado de um imaginário infantil.

É claro, se soubessemos melhor o significado daspalavras aos 7 anos de idade, saberíamos que encantadoé o que não se concretiza, não se toca, só se idealiza. É claro, se entendessemos de política aos 13, já reprovaríamos a monarquia e todos os seus desdobramentos e privilégios burgueses. Odiaríamos os príncipes.

Finalmente aos 17, já começamos a perceber que felizes são os inícios, os finais são geralmente trágicos.

Aos 20, infelizmente, as mulheres já tiveram que lidar com algumas desilusões, mas ainda são imaturas. Levam tudo aferro e fogo e desperdiçam vitalidade.

Dos 20 para os 30 é um salto impressionante ou, talvez, expressionante. Os 30, sem dúvida, marcam essa transição para uma percepção madura do mundo e do meio. Já sabemos muito (a duras penas) sobre relações e gastamos menos energia, usando mais a inteligência. Já sabemos o que queremos e porque queremos. Já sabemos o que não queremos e porque não queremos.

Porém, por puro descuido, ainda nos permitimos umas paixões adolescentes, mas encaradas com outra visão, com senso de humor e com a delícia do prazer anunciado. Sim, já somos profissionais, mães, artistas, filósofas,viajadas e tudo aquilo mais que a imaginação e a força deuma mulher de 30 nos permite viver. Por fim, para que os homens saibam o que queremos enão nos acusem de não socializar informação, elaborei uma listinha básica em tópicos didáticos:

- Queremos homens de verdade. Com defeitos e qualidadesque nos instiguem a viver melhor, a crescer, a dividir e construir.

- Nos homens de verdade vale cabelo branco, marca de expressãoe uma barriguinha de leve (não abusem nesse quesito !!!).

- Homens de verdade choram, porque sabem o valor do choro.

- Homens de verdade são os homens companheiros.- Homens de verdade dizem a verdade.E saibam:

- De complicação o mundo já ta cheio. Descompliquem,simplifiquem e nos lembrem disso também, porque às vezes esquecemos...

- Poesias são lindas. Canções também. Mas se o ato não condiz, denada servem. Guardem para si, reflitam e aprendam sobre elas.

-Se não sabem o que querem, estão proibidos de envolver alguém em suas confusões. De castigo, no quarto, sozinhos até descobrirem, OK ?

- Cobrar é uma coisa muitoooo chata, é de tirar o humor de qualquer uma. Não nos obriguem a fazer isso, por favor.Queremos usar nosso tempo de maneira mais criativa e produtiva.

- Temos TPM e somos sensíveis demais aos estímulos queo mundo nos apresenta. Quando gritamos e esperneamos são os momentos que mais precisamos de ajuda, estamos frágeis. Boa oportunidade para vocês cuidarem da gente.

- Olhar demais para o lado causa torcicolo e gera irritabilidade,manchas vermelhas e reações descompensadas na companheira.O ministério da saúde adverte: pica perdida pode ser achada, morta !

- Educação, diálogo e cuidado são fundamentais, SEMPPRE !!!

- O bom sexo idem !!!

- As melhores conquistas são aquelas bem simples(e tão grandes !) que conseguimos dia após dia:

A conquista de momentos felizes...
A conquista da cumplicidade...
A conquista do bom humor...
A conquista da saberdoria...
A conquista da dignidade......

E claro, vamos de mãos dadas, que fica bem mais gostoso...

3 de jun de 2010

Sex and the city, idade e outras divagações

Com certeza toda mulher na faixa dos 30 que já teve TV a cabo ouviu falar na série americana Sex and The City, que fez algum sucesso nos anos 1990. Pois sou fã e comprei os mais de 20 CDs dessa série. Vejo e revejo com as amigas e o debate é grande, pois além dos diálogos engraçados o que as personagens vivem - quatro mulheres em Nova Iorque no dilema lugar comum que é arrumar um namorado.

Minhas amigas de Salvador, todas inteligentes, intelectuais, politizadas e preocupadas com as questões ambientais, rs, assistem a série aos pouquinhos, em meio a muitas dessas conversas com o mesmo dilema, no fundo.

De tanto assistir a este seriado e de falar sobre homens em pelo menos 90% de nossos papos íntimos, chego cada vez mais à conclusão que o problema não são os homens ou a falta deles, mas a dureza que é ser mulher num mundo que ainda (lá vai mais clichê) não nos aceita realmente como seres humanos cheios de dúvidas e angústias existenciais, que ainda por cima estão marcados por séculos de diferenças culturais. Leia: somos mulheres independentes, temos liberdade pra fazer o que quisermos, mas será que podemos mesmo?